Conhece esse momento: instala-se um silêncio, a sua mente fica vazia, e quanto mais procura "algo interessante para dizer", menos lhe sai. Boa notícia: o problema quase nunca é falta de engenho. É uma questão de para onde dirige a atenção, e isso corrige-se.
Por que a sua mente fica vazia
Quando se tem medo de não saber o que dizer, concentramo-nos em nós: "sou interessante?, pareço parvo?". Essa autovigilância ocupa toda a sua largura de banda mental, justamente a de que precisaria para ouvir o outro e responder. Resultado: o vazio. Não é que não tenha nada para dizer, é que a sua atenção está virada para o lugar errado.
A mudança: passar de "ser interessante" a "estar interessado"
A investigação é surpreendentemente clara nisto. Uma série de estudos em Harvard, de Karen Huang e colegas, mostra que as pessoas que fazem mais perguntas, sobretudo de seguimento, são consideradas claramente mais simpáticas. Achamos que é preciso brilhar para agradar; na realidade, é o interesse sincero pelo outro que cria a ligação. E fazer uma pergunta exige muito menos energia do que encontrar uma resposta brilhante.
O sociólogo Charles Derber descreveu a armadilha oposta, a que chama "narcisismo conversacional": trazer sem parar a troca de volta para si mesmo ("ah sim, eu também...") em vez de sustentar o que o outro acabou de dizer. O simples facto de ter consciência disso já muda a forma como se ouve.
Ouvir, a sério
Os trabalhos de Guy Itzchakov e Avraham Kluger sobre a "escuta de alta qualidade" mostram que uma pessoa que se sente realmente ouvida torna-se mais aberta, mais matizada, mais à vontade. Ou seja, ouvir bem não só o tira do vazio: torna a conversa melhor também para o outro. É o contrário da ideia de que é preciso "dar espetáculo".
O que muda em concreto
Não precisa de um stock de assuntos nem de rever antes de um convívio. Precisa de reorientar a sua atenção para a pessoa à sua frente, e de alguns reflexos simples para relançar, contar e responder. É exatamente o que detalha o guia "Ser agradável e carismático se aprende", no seu capítulo sobre a arte da conversa: como nunca mais ficar sem palavras, sem representar um papel.