Falamos do carisma como de uma faísca que se tem ou não se tem. É falso. O carisma é um conjunto de sinais que os outros percebem, e esses sinais trabalham-se, tal como se mantém a forma física. Não precisa de mudar de personalidade, apenas de perceber sobre o que agir.
Por que nos enganamos sobre o carisma
A imagem feita da pessoa carismática é a do extrovertido que fala alto e capta toda a atenção. É uma caricatura. Muitas pessoas profundamente magnéticas são calmas, serenas, por vezes reservadas. O que as torna marcantes não é o volume, mas a qualidade da sua presença: a forma como ouvem, como fazem o outro sentir que conta. O carisma tranquilo existe, e é muitas vezes mais poderoso do que o ruidoso.
As duas coisas que se leem em si
A investigação em cognição social (Susan Fiske, Amy Cuddy e Peter Glick) mostra que julgamos os outros primeiro em duas dimensões universais: o calor (tens boas intenções?) e a competência (és capaz?). Ser carismático é fazer sentir os dois ao mesmo tempo: calor suficiente para tranquilizar, conteúdo suficiente para ser interessante. A maioria pende só para um lado. Pode aprender-se a reunir os dois.
E, acima de tudo: o carisma aprende-se
É o ponto mais libertador. Os investigadores John Antonakis, Marika Fenley e Sue Liechti isolaram "táticas carismáticas" concretas (contar histórias, exprimir convicção, marcar a atenção) e demonstraram que se podem ensinar: as pessoas formadas são depois percebidas como claramente mais carismáticas. Ou seja, não é uma questão de nascimento, mas de gestos.
As alavancas sobre as quais agir
Sem procurar tornar-se outra pessoa, três alavancas fazem quase todo o trabalho:
- A atenção sincera. Fazer perguntas, sobretudo de seguimento, aumenta claramente o quanto gostam de si (estudo de Karen Huang e colegas, Harvard). Muitas vezes, a pessoa mais carismática da sala é a que melhor ouve.
- A presença não verbal. Antes das palavras, percebe-se o olhar, a voz, a calma. Estes sinais afinam-se, e pesam muito na impressão que se deixa.
- Um pouco de humanidade assumida. O "efeito Pratfall" (Elliot Aronson): um pequeno deslize reconhecido torna uma pessoa competente mais simpática, não menos. A perfeição intimida; a imperfeição aproxima.
Por onde começar
O carisma não se decreta numa noite, mas constrói-se gesto a gesto, a partir do que você já é: a sua curiosidade, o seu calor, a sua forma de ver. É exatamente a promessa do guia "Ser agradável e carismático se aprende": transformar estas alavancas em hábitos simples, sem máscara nem técnicas de sedução.